quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Pássaro raro na Península Ibérica foi avistado em Tarragona

Tempestades no norte de África terão arrastado rabirruivo-mourisco para a Europa


Rabirruivo-mourisco é endémico do Magrebe
Rabirruivo-mourisco é endémico do Magrebe
Um observador de pássaros descobriu em Março passado, em Tarragona, Catalunha, uma espécie de ave extremamente rara na Península Ibérica, o rabirruivo-mourisco (“Phoenicurus moussieri”).
Trata-se de um pássaro muito pequeno, com uma plumagem negra na parte superior e avermelhada na inferior, com uma franja branca nos olhos. É endemico Magrebe (noroeste africano: Marrocos, Argélia, Tunísia e Líbia) e muito dificilmente é avistado na Europa.

Segundo os especialistas, a explicação para a sua presença pode ser encontrada em algumas tempestades que ocorreram no norte de África e que terão arrastado o pássaro mais para norte.
O rabirruivo-mourisco deixou-se ficar por aquela zona durante uma semana. O avistamento foi homologado pelo Instituto Catalão de Ornitologia, que confirmou ter havido apenas um precedente na Catalunha, em 1985, quando foi observado no Delta do Ebro.
O achado provocou muito furor entre os ornitólogos. Nessa semana dirigiram-se para aquela zona da Catalunha investigadores de toda a Espanha.
Em Portugal, o último avistamento homologado pelo Comité Português de Raridades aconteceu entre 16 de Novembro de 2006 e 14 de Janeiro de 2007, em Sagres.

Formigas são preguiçosas quando isoladas

Espécie apenas se organiza segundo necessidades colectivas

Cada um dos pequenos seres foi marcado com um código de barras (Imagem: Alessandro Crespi)
Cada um dos pequenos seres foi marcado com um código de barras (Imagem: Alessandro Crespi)
A entomologista Danielle Mersch, da Universidade de Lausanne (Suíça), publicou um artigo na «Science» sobre a sociologia das formigas, onde relata que estas, quando se encontram isoladas, são, na verdade, preguiçosas.“Teríamos de reescrever a fábula do La Fontaine”, brinca a investigadora.

Danielle Mersch e a sua equipa usaram uma técnica minuciosa para estudar a organização de uma espécie conhecida como a ‘formiga doceira’ (Camponotus fellah), que apresenta como vantagem para o estudo o facto de criarem pequenas colonias, de não hibernarem e de terem rainhas de fácil captura.

Cada um dos pequenos seres foi marcado com um código de barras em 2D (QR code) e colocado numa superfície de plasticina num espaço frio, para que se mantenham imóveis. As formigas receberam ainda um código colorido que representava a idade, em semanas.

Ao todo, foram estudadas seis colonias de centenas de insectos durante 41 dias a fio. O formigueiro estava numa caixa de 26 centímetros, num espaço escuro e ligado por um túnel a outra caixa com a mesma dimensão, onde os investigadores reproduziram em alternância dias e noites e onde colocaram alimentos, de forma a simular o ambiente do exterior.

Entretanto, as duas caixas eram filmadas e vigiadas 24 horas por dia por um programa de análise que detectava a posição dos códigos. Segundo Alessandro Crespi, investigador a cargo do desenvolvimento da tecnologia informática, quando um dos animais se encontrava face a face com uma das suas congêneres e a uma distância em que as suas antenas eram susceptíveis de se tocar, estima-se que entravam em comunicação.

Tendo em conta a inatividade de algumas, a equipa conseguiu dividi-las em três grupos – as jovens, que ficam no formigueiro e se ocupam dos ovos e das larvas; as domésticas multitarefas, que gerem os dejetos e restos da colonia, etc. e as mais velhas que tratam de arranjar alimentos no exterior. Ou seja, “as formigas organizam-se segundo necessidades colectivas” e as reticências que algumas têm em desempenhar determinadas tarefas são mais ou menos importantes segundo a idade, mas não definitivas.

O sistema de organização desta espécie permite estabelecer o tempo necessário para que uma informação rode a colonia.

Rã declarada extinta reaparece

Análise à rã-pintada-de-Hula (Discoglossus nigriventer) está publicada na «Nature Communications»


Rã-pintada-da-Palestina ('Discoglossus nigriventer')
Rã-pintada-da-Palestina ('Discoglossus nigriventer')
O primeiro anfíbio declarado oficialmente extinto pela União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN) foi redescoberto agora, passadas seis décadas do seu último avistamento, no norte de Israel. É considerado um “fóssil vivo”, sem parentes próximos entre outras espécies de sapos.
A rã-pintada-da-palestina ou rã-pintada-de-Hula (Discoglossus nigriventer), por habitar exclusivamente as margens pantanosas do lago Hula, fora declarada extinta em 1996, apesar do governo de Israel ter continuado a listá-la como “em perigo”. A drenagem daquele lago foi uma das causas do seu desaparecimento.

Descoberta para a ciência e descrita apenas no início dos anos 40, a rã teve agora uma nova oportunidade para ser estudada. Na revista «Nature Communications», uma equipa de cientistas israelitas, alemães e franceses faz uma análise aprofundada deste enigmático animal.
Com base nas análises genéticas realizadas nos indivíduos descobertos e no estudo morfológico a ossos e fósseis existentes, os investigadores concluíram que a rã difere fortemente de outros parentes vivos, como as rãs pintadas do norte de África.
A hula está antes relacionada a um género de rãs fósseis, Latonia, que foram encontradas em grande parte da Europa e que remontam a períodos pré-históricos, estando extintas há um milhão de anos. Assim, a hula não é apenas uma outra espécie rara de sapo. É, na verdade, a única representante de uma antiga clade de rãs (um grupo com um único ancestral comum).
Planos para encher novamente de água parte do Vale Hula e restaurar a habitat pantanoso original estão já a ser postos em prática, o que pode permitir a expansão da população destas rãs.